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	<title>fermentação &#8211; Casa do Vinho Blog</title>
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	<title>fermentação &#8211; Casa do Vinho Blog</title>
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		<title>A Fermentação, os fungos e um cientista muito especial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiza Martini]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jan 2019 18:13:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[fermentação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para existir vinho é preciso que haja a fermentação do suco da uva. Isso segundo a lei é exatamente o que define o vinho: o mosto de suco de uva fermentado e alcoólico. Para ser vinho precisa ser de uva e precisa ter álcool. A fermentação sempre existiu e é por conta disso que o ... </p>
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<p><em>Para existir vinho é preciso que haja a fermentação do suco da uva. Isso segundo a lei é exatamente o que define o vinho: o mosto de suco de uva fermentado e alcoólico. Para ser vinho precisa ser de uva e precisa ter álcool.</em></p>
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<p>A fermentação sempre existiu e é por conta disso que o vinho é uma das bebidas mais antigas, ao lado da cerveja e do hidromel. Bastou um cacho de uva, grãos de cevada umedecidos ou mel misturado à água para que o milagre do álcool acontecesse. Porém apenas em meados do século XIX as causas da fermentação foram descobertas. Para entender o que é e como acontece a fermentação, precisamos entender o que e quem a causa.</p>
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<p><strong>Reino Fungi</strong></p>
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<p>Fazem parte do Reino Fungi cerca de 200 mil espécies de fungos. Os mais conhecidos por nós são os bolores e mofos, fermentos, levedos, orelhas-de-pau, trufas e cogumelos. Os fungos vivem em todo o tipo de ambiente e são importantíssimos para a natureza e para os seres humanos.</p>
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<p>Alguns causam doenças e estragam os alimentos e outros nos são muito úteis. Ninguém gosta de mofo, a menos que se trate daquele específico que ataca o queijo Brie ou Gorgonzola. </p>
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<p>Trufas e cogumelos são fungos apreciados nos quatro cantos do planeta. Também é possível produzir a penicilina graças a um tipo de fungo, para citar apenas alguns exemplos de fungos “bonzinhos”.</p>
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<p><strong>Respiração e Fermentação</strong></p>
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<p>Muito fungos são aeróbicos (usam o ar) e portanto, fazem a respiração. Outros, anaeróbicos, não usam o ar e a alternativa à respiração é a fermentação. </p>
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<p>Outros, versáteis, são anaeróbicos facultativos: podem respirar quando há presença de ar ou fermentar quando não há.</p>
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<p><strong>Tipos de fermentação</strong></p>
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<p>Existe a fermentação alcoólica que a gente adora, a lática, que transforma o leite em iogurte, queijos e coalhada e a fermentação acética, que transforma a fermentação alcoólica (o etanol) de frutas ou cereais em ácido ou vinagre.</p>
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<p>Algumas vezes o vinho que já passou pela fermentação alcoólica passa também pela fermentação malolática. Significando que o ácido málico foi transformado em ácido lático. Isso é feito porque o ácido lático é muito mais palatável e também para fazer com que o vinho ganhe untuosidade e aromas amanteigados. Para isso acontecer são adicionadas ao vinho bactérias láticas.</p>
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<p><strong>As Leveduras</strong></p>
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<p>Em se tratando de fermentação alcoólica os fungos utilizados são as leveduras, em especial a nossa amiga Saccharomyces cerevisiae. Essa levedura é a grande estrela e responsável pelo pão, cerveja e o vinho. </p>
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<p>A razão dela ser a mais utilizada é sua resistência maior ao álcool e ao CO2 (gás carbônico). Na fermentação alcoólica a glicose (açúcares) é quebrada gerando energia (calor), gás carbônico e álcool. </p>
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<p>Quando a fermentação acontece em uma massa de pão o que a faz crescer é a prisão desse CO2 dentro da massa. No vinho tranquilo (não espumante) esse gás sairá. Já no vinho espumante, ele ficará preso na garrafa ou no tanque.</p>
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<p><strong>Tipos de Leveduras</strong></p>
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<p>Existem três formas de fazer pão: com leveduras ou fermento seco, fresco ou selvagem. No terceiro caso é necessária muita paciência pois é preciso esperar que as leveduras presentes no ar comecem a agir. </p>
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<p>A Massa Mãe – um fermento alimentado diariamente e fracionado para criar novos pães – é um exemplo de levedura selvagem.</p>
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<p>No imaginário popular o vinho fermenta por conta própria. Isso nem sempre é verdade. Existem fermentos industrializados para o vinho assim como existem para pão. </p>
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<p>Com as leveduras cultivadas em laboratório é possível fermentar o vinho mais rapidamente, com menor custo e com menores riscos. Isso porque uma colônia muito grande de leveduras de um tipo impedirá que se proliferem tipos diferentes e por vezes prejudiciais.</p>
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</p>
<p>Porém podem existir abusos que se não ilegais e considerados por muitos como imorais. Com o desenvolvimento das leveduras &#8216;industrializadas&#8217; foi possível selecionar as melhores para obter determinado tipo de vinho. </p>
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</p>
<p>Isso acontece porque cada espécie de levedura possui sua própria série de enzimas que processará o açúcar e deixará para trás aromas e sabores próprios. Assim, é possível garantir aromas e cor de determinada casta, já que foram cultivadas a partir da própria uva. Porém, podem gerar o mesmo efeito ainda que em vinhos produzidos em um local completamente atípico a ela. Por exemplo, transformar completamente uma uva do Chile e dar-lhe ares de um vinho de Bordeaux ou da Toscana. </p>
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<p>Há quem acredite que a levedura selvagem seja a única capaz de manter o vinho como fruto legítimo do <em>terroir</em>.</p>
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<p><strong>Alimento</strong></p>
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<p>As leveduras alimentam-se de açúcares. Portanto é o açúcar que se transforma em álcool. Como já dissemos, a transformação do açúcar em álcool também gera energia. Essa energia existe em forma de calor. Por isso as vinícolas tomam muito cuidado com a temperatura no momento da fermentação.</p>
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<p><strong>Interrupção da fermentação</strong></p>
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<p>As leveduras são sensíveis à temperatura e essa pode matá-las ou deixá-las em estado de dormência. É desejável matar as leveduras quando o vinho já atingiu o teor alcoólico desejado. Caso contrário elas poderão continuar agindo na garrafa e refermentar o vinho. Quando não se trata de espumante, isso é evitado.</p>
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<p>Dezessete gramas/litro de açúcar geram 1%/litro de volume alcoólico. Quando o teor alcoólico atinge o máximo da capacidade que a levedura tem de suportar o álcool, ela pode morrer em função desse álcool. Se a temperatura elevar-se, ela também morre. Por isso o vinho é pasteurizado como o leite. Outra maneira de matar as leveduras é adicionando álcool vínico como no caso do Vinho do Porto e outros vinhos fortificados.</p>
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<p><strong>A grande descoberta</strong></p>
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<p>Devemos agradecer imensamente à Louis Pasteur a cada vez que bebemos vinho. Até meados do século XIX a teoria da Geração Espontânea estava em voga e foi ele quem a derrubou definitivamente. Graças ao seu trabalho, em especial àqueles relacionados ao vinho, ele aprimorou os estudos dos microrganismos e seu efeito sobre nós. Foi responsável pela criação das vacinas e da descoberta e controle das leveduras.</p>
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<p>Não deixaríamos de beber vinho caso ele não tivesse existido, mas graças à sua colaboração podemos beber vinhos melhores, por mais tempo, de regiões mais distantes e com muito mais saúde!</p>
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